Pequim denuncia "crimes graves" na explosão de mina e promete punições severas

Pequim denuncia "crimes graves" na explosão de mina e promete punições severas

As autoridades chinesas prometeram hoje punições severas pela explosão numa mina de carvão, após concluírem que a empresa mineira cometeu "crimes graves", enquanto reduziram o número de mortos para 82 face ao balanço anterior.

Lusa /
Reuters

"O acidente matou 82 pessoas. Duas pessoas continuam desaparecidas e a busca continua sem abrandar. E outras 128 pessoas ficaram feridas e foram hospitalizadas", disse Chen Xiangyang, presidente da câmara da cidade de Changzhi, província de Shanxi, segundo a emissora estatal CCTV.

Um balanço anterior tinha dado conta de mais de 90 vítimas mortais.

Um total de 247 mineiros encontravam-se na mina de carvão de Liushenyu quando a explosão ocorreu na noite de sexta-feira, num acidente que é o mais grave neste setor em 17 anos.

Os serviços de emergência e de saúde destacaram 755 pessoas para o local, segundo a televisão estatal.

As autoridades chinesas anunciaram hoje que os resultados iniciais da investigação concluíram que a empresa mineira cometeu "crimes graves", segundo os meios de comunicação estatais.

"Avaliações preliminares indicam que a empresa que opera a mina de carvão foi culpada de graves violações da lei", disseram os responsáveis numa conferência de imprensa transmitida pela CCTV.

Segundo a agência oficial de notícias Xinhua, o governo lançou uma investigação "intransigente" após a explosão na mina "pertencente ao Grupo Shanxi Tongzhou", e "os responsáveis serão severamente punidos, de acordo com as leis e regulamentos em vigor".

A agência tinha anteriormente afirmado que uma pessoa responsável pela empresa envolvida na explosão tinha sido "colocada sob controlo ao abrigo da lei".

Esta mina está localizada a 500 quilómetros a sudoeste de Pequim, na província de Shanxi, um importante centro mineiro de carvão na China.

A nível nacional, Pequim ordenou uma repressão às atividades mineiras ilegais, noticiaram os meios de comunicação estatais.

O Presidente Xi Jinping tinha anteriormente instado a mobilização de "todos os meios" para tratar os feridos e apelado a investigações minuciosas, sublinhando que "todas as regiões e departamentos devem aprender com este acidente."

"Todas as regiões e autoridades competentes são obrigadas a (...) realizar repressões rigorosas contra atividades ilegais e ilícitas, e investigar e punir rigorosamente os responsáveis, segundo a Xinhua.

Acidentes em minas de carvão, das quais a China é o maior consumidor, são frequentes, mas este é o mais mortal desde novembro de 2009, quando uma explosão numa mina na cidade de Heilongjiang, no nordeste, matou 108 pessoas.

A segurança nas minas chinesas melhorou nas últimas décadas, assim como a cobertura mediática de incidentes graves, muitos dos quais antes eram ignorados.

Mas os acidentes continuam a ser frequentes numa indústria onde os protocolos de segurança são frequentemente desrespeitados.

Em fevereiro de 2023, o colapso de uma mina de carvão a céu aberto na Mongólia Interior (norte) causou a morte de 53 pessoas.

A China, o maior emissor mundial de dióxido de carbono, é o maior consumidor de carvão, um recurso que considera uma solução fiável para o fornecimento intermitente de energias renováveis.

Só as minas de carvão empregam mais de 1,5 milhões de pessoas.

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